A Estreia Do Instituto Da Justiça De Paz Na Cidade Do Rio De Janeiro Ocorre Em Um Momento Singular Da Construção Do Estado Nacional Brasileiro: A Crise Do Primeiro Reinado, Que Culminou Na Abdicação Do Imperador, E O Período Das Regências. Foi Nesse Rico Contexto De Debates E Embates Sociopolíticos Que 140 Indivíduos Das Freguesias Urbanas Da Capital Do Império Foram Escolhidos Em Eleições Diretas Pelo Voto Popular. O Livro A Magistratura De Paz No Jogo Político Da Corte Imperial Traz À Tona Os Meandros Dessa Experiência No Coração Do Poder. A Partir De Uma Minuciosa Pesquisa Sobre A Trajetória E O Perfil Desses Juízes De Paz Eleitos, Foi Possível Identificar Os Alinhamentos E A Atuação Política Desses Agentes Públicos, Especialmente Nos Anos De 1830, Além Da Construção De Uma Rede De Sociabilidade Que Os Incluía Nas Mais Diversas Sociedades Do Período. Ademais, A Obra Aborda De Maneira Esclarecedora E Contundente O Conflito De Interesses Em Torno De Um Grupo De Magistrados De Paz Que Ocupou Cargos Estratégicos Na Câmara Municipal E Atuou No Tráfico E/ou Comércio De Escravos. Para Além Dessa Trajetória De Poder Local Vinculada À Ascensão Desse Grupo De Indivíduos À Justiça De Paz Da Cidade Do Rio De Janeiro, O Processo Eleitoral Municipal Revelou Um Instigante Campo Para O Exercício Da Cidadania, Colocando Em Xeque Ideias Generalistas Que, Em Grande Medida, Reduzem As Eleições No Brasil Império À Corrupção E À Fraude. Por Fim, O Trabalho De Kátia Santana Discute O Poder De Atuação Desses Magistrados Leigos No Cotidiano Da Cidade, Considerando A Ampliação De Seus Poderes A Partir Da Criação Do Código Do Processo Criminal De 1832 E A Supressão Desses Poderes Com A Reforma Do Código Em 1841. Trata-se, Portanto, De Uma Obra Que, Ao Abordar A História Da Magistratura Leiga E Eletiva Na Capital Do Império, Nos Convida A Repensar A Dimensão Da Política Municipal Do Rio De Janeiro, Seus Personagens E As Especificidades De Uma Parcela Da População Apta A Votar Em Um Representante Local.