Jacques Lacan Abre Infinitos Campos, Deixando A Cargo De Suas Leitoras E Leitores Um Trabalho Inesgotável. Muitos Se Perdem Nessas Largas Florestas De Referências E Circulam Desorientados Pelos Sinuosos Labirintos De Suas Articulações. Esse Definitivamente Não É O Caso De Léa Silveira Em A Travessia Da Estrutura Em Jacques Lacan. A Autora Segura O Irreverente Psicanalista Com Rédeas Curtas. Esmiúça A Obra Partindo Da Noção Lacaniana De Sujeito Com Bisturi Em Mãos E Lentes De Aumento Nos Olhos. Perfura A Carne Em Torno De Cada Caroço Notado Até Dissolver Os Nós Que Os Cristalizam. Em Torno Do Sujeito Há Toda Uma Estrutura Que O Determina E, Ao Mesmo Tempo, Não É Capaz De Soterrar Sua Singularidade. Aliás, O Que É Singular Só Pode Existir Em Função Do Conjunto De Determinações Estruturais Que Compõem As Camadas Sociais E Políticas, Mas Paradoxalmente Resiste A Tal Ordenação. Eis O Impasse Capcioso Que A Autora Ousa Enfrentar, Expondo Aos Leitores As Várias Implicações De Tal Enredamento. Se Alguém Busca Uma Obra Capaz De Explicitar Problemas Colocados Pelo Psicanalista Francês, Sem Reduzi-los A Fórmulas Fáceis, Tem Em Mãos Um Precioso Material De Estudo. Não Encontrará Um Caminho Sem Pedras, Mas Terá, Sem Sombra De Dúvida, Um Mapa Detalhado E Muito Bem Desenhado Para Seguir. Alessandra Affortunati Martins Psicanalista E Pesquisadora Da Cátedra Edward Saïd (unifesp)