Neste Notável Romance, Nei Lopes Conta A História Das Mudanças Do Rio De Janeiro Do Século Xx Através De Um Típico Morador Carioca.
a Última Volta Do Rio É O Lamento De Um Preto Carioca Da Gema Que Viveu Os Anos De Ouro Da Cidade Maravilhosa E Hoje Sofre Com As Mazelas Que A Estão Destruindo, Tais Como O Crime, A Corrupção, O Racismo Religioso E A Intolerância.
maurício De Oliveira, O Cicinho, Foi O Primeiro De Sua Família A Cursar O Ginasial. Saído Do Irajá, Na Zona Norte Do Rio De Janeiro, Formou-se Em Direito E Tornou-se Procurador Federal. Acompanhou Todas As Mudanças Que O Rio De Janeiro Sofreu Ao Longo Dos Anos: Da Transferência Da Capital Para O Interior Do País (e As Disputas Que Se Seguiram) Ao Surgimento De Novos Atores Políticos — E Religiosos — Na Dinâmica Da Cidade. Conforme Apontou Marcelo Moutinho, Na Orelha Do Livro, O Percurso De Cicinho “reflete, No Microcosmo Individual, A Trajetória De Um País Em Permanente Cataclismo [...], Cheio De Impasses, Que São Esquadrinhados Por Nei Com Verve E Ironia”.
nei Lopes Vem Se Empenhando Em Produzir Uma Literatura Ficcional Em Que O Indivíduo Negro E O Povo Negro Em Geral Sejam Protagonistas Quase Absolutos Das Tramas Que Desenvolve, Sempre Ambientadas A Partir Dos Subúrbios Do Rio De Janeiro. Este A Última Volta Do Rio Consolida De Forma Definitiva A Força Narrativa Do Autor.
“aquela Do Presidente Preto Nunca Mais Saiu Da Cabeça Do Maurício. Ele Sabia Que O Brasil Tinha Preto Bom De Bola, Cantor, Dançarino, Enfermeiro... Mas Presidente Da República? Como? A Novidade Então Virou O ‘segredo Do Castelo’ Ou ‘da Esplanada’. Que Ainda Hoje, Embora Não Seja Oficialmente Um Bairro, É Um Importante Local Do Centro Da Cidade. Aliás, Antes Da Mudança, Era O Centro Do Centro, Por Abrigar Os Prédios Das Grandes Decisões, Onde Se Julgavam Os Destinos, Onde Se Ouvia A Música Mais Refinada, Viam-se Os Melhores Filmes Estrangeiros, Tomava-se O Chope Mais Bem Tirado, Cobiçavam-se As Mulheres Mais Bonitas E Invejavam-se Os Homens Mais Bem Trajados. Aqui É Que Era O Rio, Com R Maiúsculo.”