Dois Dos Romances De Jane Austen, Orgulho E Preconceito E Emma, São Analisados Na Perspectiva Do Bildungsroman, Haja Vista Envolverem O Processo De Desenvolvimento Moral E Psicológico De Seus Personagens No Ambiente Social Do Interior Da Inglaterra Do Século Xix. Os Romances Retratam A Ruptura Com A Tradição Literária Em Meio A Uma Sociedade Que Passava Por Muitas Mudanças, Como O Declínio Da Aristocracia E A Ascensão Da Burguesia, O Alto Índice De Migração E Urbanização E O Surgimento Do Público Leitor Feminino, Tendo Esse Contribuído Para Popularizar A Leitura, Para Incrementar O Mercado Livreiro E, Principalmente, Revolucionar A Literatura Que, De “bela Escrita”, Passou A Se Aproximar Da Linguagem Popular E A Tratar De Assuntos Da Vida Cotidiana De Gente Comum. Nesse Contexto, Jane Austen, Diferente Da Característica De “escrita Para Mocinhas” Atribuída À Sua Obra, Revelou Traços Críticos Nesses Romances, Envolvendo Desde Um Ambiente Político Até A Mentalidade Social Da Época, Com Personagens Que Nasceram E Se Desenvolveram Nesse Meio, Mas Que, Apesar Do Aprendizado Restringido Ao Lar, Eram “heroínas” Por Amadurecer E Falar De Seus Sentimentos. Analisar Os Dois Romances Nesse Contexto Permitiu Entendê-los Como Romances De Formação, Logo Enquadrá-los No Bildungsroman.