A Velocidade Do Processo Criativo De Bruno Vicentini É Inversamente Proporcional À Rapidez De Suas Narrativas: Se Estas São Mesmo Velozes, Aquele Pode Ser Comparado A Uma Persecução, Tão Tenaz Quanto Morosa. O Perseguidor-autor Converteu Consideráveis Lapsos Temporais Em Construções Exíguas, Fez Da Curiosidade Uma Obsessiva Observação, Foi Macarthista Na Caça Aos Excessos. Com Lentidão Bovina, Por Tentativa E Erro Ao Infinito (sem Nunca Se Contentar Com Menos Do Que A Perfeição Formal), Pôs À Prova Seu Estudo E Suas Obsessões Temáticas. Ciranda Da Catarina E Outros Contos É O Resultado De Sua Busca Pela Literatura Assim, Sem Adjetivos E Com L Maiúsculo. Muitos São Os Frutos Dessa Quixotesca Empreitada: A Verossimilhança, O Non Sequitur Dos Diálogos, Os Absurdos Sequenciais Do Cotidiano, O Amálgama Do Cronista Ferino, O Cerebral Narrador E O Filho Lírico, Que Nem Ao Evocar O Pai Se Despe Da Elegância E Da Concisão. Estão Aqui O Aforista Implacável E O Contista Virtuoso, Técnico, De Almanaque. Presentes, Também, O Voyeur, Executor De Vinganças E De Odes A Partir Do Gris Cotidiano, E O Metaliterato Que, Ao Pedir Benção Aos Seus Mestres, Não Deixa De Fazer O Seu Próprio Milagre. Persecução, Perseguidor, Perseguido. Neste Objeto Ideal, Feito De Tempo E De Buscas, O Que Ainda Falta? Neste Jardim, Em Que Se Justapõem Afeto E Memória, Onde A Paciência Do Beato Para Talhar Aforismos Perfeitos Encontra Uma Endiabrada Imaginação, O Que Pode Faltar? Falta Você, Caro Leitor, Cara Leitora. Você, Que Está Prestes A Entrar Nas Veredas Deste Notável Jardim, E De Conhecer, De Um Só Jorro, Todas As Faces De Sua Terrível Arte. Marcos Peres