Nesta Reunião De Duas Obras, Publicadas Ao Longo Da Década De 1960, Vemos Dinah Exercitar Sem Medo O Maior Alcance De Sua Inventividade: O Estranho E O Insólito Característicos Da Ficção Científica. Ao Se Referir A Dinah Silveira De Queiroz, É Impossível Não Apontar Sua Versatilidade, A Maneira Como Explorou Gêneros, Temas, Épocas, Cenários. E Aqui Cumpre Dizer: Dinah Foi Também Uma Pioneira Da Ficção Científica Brasileira. Nos Mistérios Do Gênero, Foi Iniciada Aos Seis Anos Pelo Pai, Alarico Silveira, Ouvindo-o Narrar, E Às Vezes Até Recriar, Clássicos De Júlio Verne E H.g. Wells. Neste Volume, Estão Reunidos Dez Contos Em Que A Autora Explora Elementos Do Gênero, Reproduzidos De Eles Herdarão A Terra, Originalmente Publicado Em 1960, E De Comba Malina, De 1969. Na Carta Aos Leitores Que Abre O Primeiro Livro, Diz: Receba, Portanto, A Minha Procissão Fantástica, Como As Mil E Uma Faces Do Autor Num Espelho Partido . E Não Se Deve Pensar Que A Incursão De Dinah Na Ficção Científica Se Restringe A Cenários Intergalácticos E Criaturas Extraterrenas (embora Os Construa Com Maestria), Mas Aborda Temas Urgentes A Seu Momento Histórico, Sem Soar Datados Ao Público Contemporâneo, E Profundas Questões Universais: A Perseguição Aos Marginalizados, Os Descabimentos Nas Disputas Da Política Partidária, O Terror Colonialista E Sua Profunda Relação Com A Maneira De Subjugar A Mulher E Outras Minorias E A Busca Para Uma Resposta Ao Que Nos Faz Humanos. Ora Divertidos E Marcados Por Refinada Ironia, Ora Tensos E Sombrios, Os Contos Deste Volume Nos Provocam, Inquietam, Enternecem. No Posfácio Para Esta Nova Edição, A Pesquisadora Ana Rüsche Se Refere A Um Questionamento Lançado Por Dinah: Que Destino Terá A Obra De Um Escritor De Nossa Época Quando Raiar O Século Xxi? . Hoje, Nós, Os Leitores Do Famigerado Século Xxi, Estamos Certos De Que Sua Literatura Inventiva, Elegante E Resistente Aos Modismos Perdurará E, Quiçá, Conforme Seus Exercícios De Futurologia, Alcançará Outros Mundos E Seres. Do Prefácio De Rita Lenira De Freitas Bittencourt Na Década Em Que Dinah Escreve Sua Ficção Científica, O Rio Deixa De Ser A Capital Do Brasil, A Ditadura Civil-militar Se Instaura, E, Em 1970, Estaremos Diante De Verdaeiras Máquinas De Produzir Espetáculo, Aparelhos Que Invadiram Todos Os Lares, Enquanto A Máquina De Guerra Estatal Se Empenhava Em Domesticar, Pela Violência Extrema, Os Corpos Indóceis. Os Chamados Contos Absurdos Perdiam De Longe Para A Dita Realidade. Do Posfácio De Ana Rüsche É Por Meio De Sua Ficção Científica Que Dinah Consegue Penetrar Nas Camadas Autoritárias E Mergulhar Em Outros Imaginários Possíveis.