Nossa Cultura Atual É Dominada Pela Ideologia Da Criatividade. Deve-se Criar O Novo E Não Se Importar Com As Coisas Como São. Essa Ideologia Legitima A Dominação Da «classe Criativa» Sobre O Resto Da População Que Se Ocupa Predominantemente Das Formas De Cuidado — Assistência Médica, Cuidados Infantis, Agricultura, Manutenção Industrial E Assim Por Diante. Temos A Responsabilidade De Cuidar De Nossos Próprios Corpos, Mas Aqui Novamente Nossa Cultura Tende A Tematizar Os Corpos Do Desejo E A Ignorar Os Corpos Do Cuidado — Corpos Adoecidos Que Precisam De Autocuidado E Assistência Social. Mas A Discussão Do Cuidado Tem Uma Longa Tradição Filosófica. Este Livro Reconstitui Alguns Episódios Desta Tradição — Começando Com Platão E Terminando Com Alexander Bogdanov, Passando Por Hegel, Heidegger, Bataille E Muitos Outros. A Questão Central Discutida É: Quem Deve Ser O Sujeito Do Cuidado? Devo Cuidar De Mim Mesmo Ou Confiar Nos Outros, No Sistema, Nas Instituições? Aqui, O Conceito De Autocuidado Torna-se Um Princípio Revolucionário Que Confronta O Indivíduo Com Os Mecanismos De Controle Dominantes.