Neste Ensaio Biográfico De Rara Sensibilidade, Que Já Teve Os Direitos Vendidos Para Dez Editoras Estrangeiras, O Sociólogo E Professor José Henrique Bortoluci Parte De Entrevistas Realizadas Com Seu Pai, Que Durante Cinquenta Anos Foi Motorista De Caminhão, Para Retraçar A História Recente Do País E Da Própria Família. Por Meio De Uma Prosa Elegante E Afetuosa — Que Combina Depoimentos E Anedotas Do Pai E Seus Colegas Com Referências Literárias E Reflexões Sobre O Brasil —, Capítulos Marcantes De Nosso Passado E De Nosso Presente Se Revelam Pelos Olhos De Um Cidadão Comum, Que Vivenciou A Ditadura Militar E Seus Delírios Megalomaníacos, Como A Construção Da Rodovia Transamazônica E As Marcas Violentas Da Chegada Do Suposto “progresso” Ao Interior Do País.
bortoluci Tem Consciência De Que A Matéria-prima De Sua Escrita É Composta Por Camadas, Mediada Pela Memória, Pela Subjetividade De Quem Narra, Pelo Tempo. Mas Essa Impureza Da Matéria É Justamente A Chave Para A Concisão Deste Texto Que, Por Nunca Falar De Uma Coisa Só, Se Desdobra Em Registros E Territórios Pouco Explorados Em Nossa Literatura. A Devastação Que Assola O País Também Permite Que O Autor Se Aproxime De Outro Assunto Doloroso: O Câncer Que Acomete Seu Pai E O Tratamento Médico Pelo Qual Ele Passa Durante A Escrita Do Livro. As Marcas No Corpo Do Paciente São Também As Estradas Que Cortam O País, Cicatrizes De Um Projeto Desenvolvimentista Que Até Hoje Perdura Em Nosso Imaginário Político. A Distância Que Ele Percorre Com O Caminhão Também É Aquela Que Foi Se Abrindo Entre Seu Destino E O Do Filho, Hoje Professor Universitário.
além De Um Feito Literário E Uma Valiosa Reflexão Histórica E Sociológica Do País, Este Livro É Também Uma Tentativa Comovente E Exitosa De Unir Novamente Os Dois Caminhos.