A Pauta Das Ações Afirmativas Conseguiu Congregar Grande Parte Da Sociedade Brasileira A Dialogar Sobre A Questão Racial Nacional. Antes De Essas Ações Serem Políticas Federais, Por Força Da Lei 12.711, Em 2012, Elas Foram Implementadas Vagarosamente Em Universidades E Órgãos Do Estado, Em Níveis Municipais, Estaduais E Federais, Fortalecendo E Possibilitando Que Movimentos Negros Locais Pudessem Participar, Protagonizar E Se Organizar Na Defesa De Tais Medidas. Esse Processo, Ainda Que Menos Narrado, Por Não O Foco De Análise Desta Obra, É De Politização Social E, Por Meio Dele, Imprensa, Escolas, Universidades, Pais, Advogados E Vários Outros Importantes Atores Sociais Foram Construindo Seus Posicionamentos Em Torno, Principalmente, Das Cotas, Mas, De Alguma Maneira, Também Das Questões Raciais Do Brasil.
a Questão “quem É Negro No Brasil?” Ainda Suscita Debates Acalorados. Tratamos Dela Como Uma Questão Identitária Que Consegue Desestabilizar As Bases Clássicas De Um Estado-nação, Questionando A Identidade Nacional, As Instituições Sociais E As Práticas Culturais Mais Cotidianas, Rasurando Representações Sociais E Contando As Histórias De Vários Silenciamentos. Esse Potencial É Assimilado E Transformado Em Procedimento Técnico-administrativo. Em Nosso Entender, Para Essa Questão, Há Uma Gama De Possibilidades De Respostas Individuais E Coletivas Que São Impossíveis De Serem Inscritas, Sem Prejuízo, Em Instituições Sociais E Pela Linguagem Jurídico-burocrática.
as Formas Jurídicas Tendem A Estabilizar Posições De Sujeitos E Essencializá-los. Políticas De Diferença, Como As Ações Afirmativas, Cumprem O Papel De Revelar Mecanismos Mais Sutis De Desigualdade Social, Bem Como De Questionar O Fazer Político, Criar Brechas Para Novas Formas Desse Fazer Político E Reinventar Parcelas De Democracia. Novamente Podemos Afirmar Que É Esse O Potencial Que Está Sendo Anestesiado Ao Burocratizar A Identidade Negra Nas Políticas Afirmativas, Apesar Do Fato De Poder Ser Um Movimento Estratégico. Dado O Contexto Político Do País, Também Representa Uma Nova Forma Jurídico-institucional De Lidar Com As Identidades Negras, Cuja Extensão Ainda Não É Mensurável.