Os Sete Pecados Parecem Ter Inspirado A Brincadeira Popular De Que Tudo O Que É Gostoso , Ou Faz Mal Ou É Pecado. Mas Não Se Trata Só Disso. Daí, O Que Nos Importa Destacar Neste Livro É A Relação Entre Cada Um Dos Sete Pecados E O Que Lacan Nomeou De Gozo Evidentemente, Com Base No Canônico Além Do Princípio Do Prazer, De Freud. O Gozo É Aquilo Que Se Obtém Ao Atravessar A Barra Que Limita Nossa Liberdade, Em Face Da Dignidade Do Outro, Dos Outros. O Autor Deixa Para Incluir Essa Consideração No Último Capítulo. Embora Gozo Seja O Termo Popularmente Usado Para Designar O Orgasmo, Em Lacan O Gozo É Aquilo Que Ultrapassa Tanto Os Prazeres Permitidos Quanto Aqueles Os Que Algumas Religiões E Diferentes Códigos Culturais Proíbem. Gozo É O Que Atravessa A Barra Da Castração Simbólica Que Limita Nossos Excessos. Claro Que A Menção À Teoria Lacaniana Para Abordar O Cânone Bíblico É Extemporânea, Mas Ajuda A Revelar O Que Sempre Esteve Ali Ou Aqui . As Perversões Flertam Com O Gozo E, Às Vezes, Chegam Lá. O Perverso Se Coloca Em Posição De Exceção Diante Da Barra Que Nos Limita Diante Da Dignidade E Da Liberdade Do Outro. A Violência E Os Ódios, Motivadores De Outros Pecados, Também. Faço Menção Às Liberdades Extra-acadêmicas A Que William Castilho Recorre Como A De Tomar Depoimentos De Amigos, Correndo O Risco De Ser Acusado De Falta De Rigor. Ora, Estamos Aqui No Campo Da Moral, Das Práticas De Linguagem E, Também, Da Ideologia. É Preciso Arriscar. A Forma De Rigor Mais Absoluta Que Conhecemos, Como Todos Sabem, É O Rigor Mortis. O Texto Que Aqui Se Apresenta É Muito Vivo. (maria Rita Kehl)