Esta Reunião De Dois Livros Do Escritor Chileno Marcelo Matthey – Escrevi Tudo Isso Entre Dezembro De 1987 E Março De 1988 E Sobre Coisas Que Aconteceram Comigo – É Uma Espécie De Filho Tardio E Inesperado Da Ambição Flaubertiana De Escrever “um Livro Sobre Nada”, “um Livro Que Quase Não Tivesse Nenhum Tema, Ou No Qual, Pelo Menos, O Assunto Fosse Quase Invisível”. São Dois Diários, Bastante Esparsos E Marcados Por Uma Atitude Ao Mesmo Tempo Benevolente E Inquieta, Numa Prosa Que É Tão Clara Quanto Misteriosa. Há Um Momento No Qual, Ouvindo Um Concerto De Música Ao Vivo, Matthey Escreve: “prestei Atenção Nos Sons Que O Solista Faz Quando Não Canta, Principalmente Na Respiração E Nos Gemidos”. É De Dentro De Gestos Assim – Atentar Para Os Intervalos Da Música, Observar Um Galinheiro, Descrever Os Demais Leitores De Uma Biblioteca Pública, Pegar Um Ônibus, Escutar Gente Falando Na Rua, Ir À Praia – Que Podemos Perceber O Tema “quase Invisível” Dos Livros De Matthey, E A Pulsação Viva De Uma Escrita Única.