Todos Juntos Reúne A Produção Ficcional De Vilma Arêas, Com A Qual Ela Venceu Dois Prêmios Jabuti: Do Inédito Tigrão Ao Livro De Estreia, Partidas, De 1976. Entre Um E Outro, Um Beijo Por Mês (2018), Vento Sul (2011), Trouxa Frouxa (2000), A Terceira Perna (1992) E Aos Trancos E Relâmpagos (1988).
a Apresentação Dos Sete Livros Obedece A Uma “cronologia Invertida” — Começa Em 2023 E Volta A 1976. Esse Percurso De Quase Cinquenta Anos Revela Arêas Como A Prosadora Arguta E Sensível Que Já Despontava Em Seus Escritos Iniciais. Revela Também Certa Predileção Sua Pelas Narrativas Curtas, Que Tomam Forma Ora Em Episódio Anedótico —, Ora Em Pequenos “cromos” — Descrições Em Que Se Identifica Com Nitidez O Olhar De Quem Vê. À Medida Que A Leitura Avança, Chega-se Às Primeiras Ficções, E Então À Única Narrativa Longa Que O Compõe (aos Trancos E Relâmpagos) E À Prosa Experimental De Partidas.
do Inédito Tigrão, Destaca-se A Narrativa Homônima Que Conta A Inesperada E Circunstancial Amizade De Um Militante De Esquerda Com Um Membro Do Esquadrão Da Morte Numa Prisão Militar. Páginas Adiante, Porém, O Leitor Encontra O Felliniano “vestidos De Palha”, Confirmando Que, Neste Como Nos Outros Livros, A Situação Política E A Desigualdade Social Dividem Espaço Com Momentos Em Que O Humor Toma A Cena, Conferindo Leveza E Gravidade A Seus Conjuntos De Histórias.
a Prosa De Vilma Arêas É Tão Saborosa Quanto Inclassificável: Vai Do Teatro À Crônica, Da Descrição De Aparente Objetividade À Narrativa De Amor. Assume Às Vezes Uma Feição Clariceana, Outras Vezes Faz Lembrar O Riso Cotidiano De Martins Pena, Não Por Acaso Dois Autores A Que Ela Dedicou Anos De Pesquisa Como Professora De Literatura. Se Sua Prosa Afiada Herda Traços Desses E De Tantos Outros Autores Que Estuda, Traduz Ou De Que Gosta, Ela Não Deixa De Construir Para Si Um Estilo Próprio De Quem Olha Para O Mundo Sem Naturalizá-lo.
os Narradores Atravessam A Cidade Com Os Olhos Abertos E Os Ouvidos Atentos À Dicção Do Outro — Parente, Colega De Universidade, Pedinte, Policial, Taxista Ou Um Homem Que Amou, Todos São Criados Com A Mesma Dignidade. No Amplo E Democrático Universo De Personagens, Anônimos E Sumidades Se Esbarram E Se Deixam Afetar Pelo Encontro, Numa Construção Generosa Da Cena (e Da Vida) Que Vale A Leitura De Cada Página E Que Desperta No Leitor O Desejo De Perambular Por Aí Até Encontrar Vilma Arêas.