Este Pequeno Livro É Uma Autoficção Singularíssima. Este É, Em Princípio, O Tipo De Texto Em Que O Autor Fala Ficcionalmente De Si Mesmo, Às Vezes Hibridizando Invenção E Realidade. Viagem Ao Redor Do Meu Jardim, Entretanto, É A Experiência De “transcrição” Imaginária Do Relato De Diálogos Entre Um Homem Comum Na Paisagem Urbana Do Rio De Janeiro E Desconhecidos, Ao Abrigo Das Árvores E Folhas De Um Jardim.
O Que Torna Especial O Acontecimento É A Evidência Crescente De Que O Protagonista Das Ações Não É Exatamente Ele Mesmo. Ou Seja, Ele Nunca Se Integrou Num Jardim Tanto Quanto Agora, Nem Foi Tão Observador Da Vida E Das Coisas Como Vai Se Revelando Nas Conversas. É Verdade Que A Existência Secreta Ou Paralela Que Pode Ter Determinadas Cidades, E Esse É Bem O Caso Do Rio De Janeiro, Dá Margem À Irrupção De Fenômenos Ou De Realidades Imprevistas, Que Costumam Ter Acolhimento Apenas Pararreligioso. O Venerável Preto Velho Da Liturgia Afro-brasileira É Um Exemplo Reiterado Da Manifestação De Sabedoria Ancestral Por Meio Da Incorporação Num Fiel Qualificado. São Muitos, Porém, Os Portais Simbólicos De Acesso A Experiências Dessa Natureza, Respaldadas Em Outras Tradições, Às Quais A Sociedade Global Pretensamente Hegemônica Apenas Finge Dar As Costas.
Não Existem Fronteiras Fechadas A Essas Ocorrências Excepcionais. Em Ao Redor Do Meu Jardim Reverberam, Enigmaticamente, Vozes De “alta Ajuda” Da Sabedoria Indiana.