A Vida Dos Africanos Não Se Limitou À Escravização E À Destruição De Suas Formas Anteriores De Organização Social. Ultrapassada A Experiência Marcante Da Travessia Do Atlântico, Milhões De Vidas Foram Reinventadas Mesmo Sob Condições Terrivelmente Adversas. Novas Devoções, Formações Familiares, Línguas, Novos Alimentos: Tudo Estava Por Ser Feito Nas Diferentes Formas De Resistência Mobilizadas Para A Sobrevivência. E Sobreviver Era A Maior Resistência, Sem Mencionar Que O Aprendizado Da Narrativa Da Própria História Em Moldes Compreensíveis Aos Interlocutores Que Se Pretendia Alcançar Era Uma Prova Inegável De Vitalidade. [ ] O Autor Não Se Deixou Intimidar Pela Fonte Inusitada No Ambiente Dos Historiadores Profissionais No Brasil E Encarou Assuntos Sobre Os Quais Autores Abalizados Pareciam Já Haver Dito Tudo, Como É O Caso Dos Significados Da Liberdade Para Quem Os Construiu. Enfrentar Esses Desafios São A Prova De Maturidade Intelectual Que Rafael Nos Dá. Se Essa Prova Serve Para Habilitá-lo No Ofício, O Livro Também Traz Ao Leitor Uma Escrita Fina, Bem Construída E Prazerosa. Os Maus Escritores Que Me Perdoem, Mas Escrever Bem É Tarefa Da Qual O Historiador Não Deve Descuidar. Leitor, Adentre Sem Medo, Que O Livro É Bonito Demais! Jaime Rodrigues, No Prefácio O Intento De Rafael Que, Diga-se De Passagem, Se Efetiva Com Classe , Ao Estudar A Autobiografia De Escravizados Nos Estados Unidos, Cumpre Dupla Função: Estudar A Gênese Da Contradição Fundante Da Modernidade Capitalista No Interior Daquela Que Se Tornará A Principal Potência Econômica Mundial Em Meados Do Século Xx E, Como Derivação, Nos Permitir Acesso A Um Debate De Forma E Conteúdo Relacionado A Um Dos Mais Importantes Instrumentos De Reorganização E Insurgência Da Diáspora Negra: A Escrita Em Primeira Pessoa. [ ] Em Seu Primeiro Livro, Rafael Domingos Oliveira Se Consagra Como Um Dos Grandes Nomes Da Historiografia Desde O Sul Para O Mundo. Com O Passado De Luta Feita Por Homens E Mulheres Escravizados Tão Bem Complexificado Por Rafael, Temos Mais Elementos Para Interpelar O Presente, Com Um Horizonte De Possibilidades Mais Digno E Emancipado. Márcio Farias, Na Apresentação