A Vida Dos Africanos Não Se Limitou À Escravização E À Destruição De Suas Formas Anteriores De Organização Social. Ultrapassada A Experiência Marcante Da Travessia Do Atlântico, Milhões De Vidas Foram Reinventadas Mesmo Sob Condições Terrivelmente Adversas. Novas Devoções, Formações Familiares, Línguas, Novos Alimentos: Tudo Estava Por Ser Feito Nas Diferentes Formas De Resistência Mobilizadas Para A Sobrevivência. E Sobreviver Era A Maior Resistência, Sem Mencionar Que O Aprendizado Da Narrativa Da Própria História Em Moldes Compreensíveis Aos Interlocutores Que Se Pretendia Alcançar Era Uma Prova Inegável De Vitalidade. […] O Autor Não Se Deixou Intimidar Pela Fonte Inusitada No Ambiente Dos Historiadores Profissionais No Brasil E Encarou Assuntos Sobre Os Quais Autores Abalizados Pareciam Já Haver Dito Tudo, Como É O Caso Dos Significados Da Liberdade Para Quem Os Construiu. Enfrentar Esses Desafios São A Prova De Maturidade Intelectual Que Rafael Nos Dá. Se Essa Prova Serve Para Habilitá-lo No Ofício, O Livro Também Traz Ao Leitor Uma Escrita Fina, Bem Construída E Prazerosa. Os Maus Escritores Que Me Perdoem, Mas Escrever Bem É Tarefa Da Qual O Historiador Não Deve Descuidar. Leitor, Adentre Sem Medo, Que O Livro É Bonito Demais!